
A cantina da escola pode parecer apenas um detalhe na rotina, mas, na prática, ela participa da formação de hábitos que vão acompanhar seu filho por muitos anos.
Por Juliana Ferraz
É ali, no intervalo, entre amigos, risadas e escolhas rápidas, que muitas decisões alimentares são tomadas quase no automático. E o que parece pequeno hoje, pode se transformar em padrão amanhã.
Nem sempre o lanche mais escolhido é o mais saudável. Salgados fritos, doces, refrigerantes e produtos ultraprocessados costumam ser mais atrativos, mais práticos e até mais “populares” entre as crianças. O problema não está em consumir ocasionalmente, mas na frequência. Quando isso vira rotina, o corpo sente, o comportamento muda e até o rendimento escolar pode ser afetado.
A nutricionista Sophie Deram costuma reforçar que a relação com a comida começa cedo e deve ser construída com equilíbrio, sem radicalismos. Isso significa que proibir tudo pode gerar mais desejo, enquanto orientar e combinar escolhas tende a funcionar melhor a longo prazo. A criança precisa entender, não apenas obedecer.
Em casa, pequenas atitudes fazem diferença. Conversar sobre o que será comprado na cantina, combinar dias para escolhas mais livres e outros para opções mais saudáveis, incentivar o envio de lanche de casa sempre que possível. Mais do que controlar, é ensinar o filho a fazer boas escolhas mesmo quando você não está por perto.
A cantina não precisa ser uma vilã. Pelo contrário, ela pode ser uma grande aliada na construção de autonomia e consciência. Porque, no fim das contas, educar também é preparar o filho para decidir bem quando ninguém está olhando.



