
Segundo o psicólogo e pesquisador Daniel Goleman, a base da inteligência emocional começa Porque, na prática, o que mudou não foi a biologia apenas. Foi o comportamento. As mulheres estudam mais, trabalham mais, se posicionam mais, escolhem melhor — inclusive quando (e se) querem ser mães.
Por Eduardo Salomão – Jornalista de comportamento e tendências sociais
Vamos começar com um dado que desmonta muita opinião pronta: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de mulheres que se tornam mães após os 40 anos vem crescendo de forma consistente no Brasil nas últimas décadas. Em algumas capitais, esse aumento já ultrapassa 30% quando comparado aos anos 2000. Ou seja, não estamos falando de casos isolados. Estamos falando de uma mudança estrutural.
Mesmo assim, a pergunta continua aparecendo — às vezes em tom de preocupação, às vezes de julgamento disfarçado: “Mas não é tarde demais?”
A resposta incomoda: tarde para quem?
Porque, na prática, o que mudou não foi a biologia apenas. Foi o comportamento. As mulheres estudam mais, trabalham mais, se posicionam mais, escolhem melhor — inclusive quando (e se) querem ser mães. A maternidade deixou de ser uma etapa obrigatória para se tornar uma decisão consciente. E isso muda tudo.
Mas essa mudança ainda bate de frente com uma cultura que insiste em acelerar o tempo feminino. Existe uma expectativa silenciosa de que a mulher precisa “dar conta de tudo cedo”: carreira, relacionamento, filhos, estabilidade emocional. Quando isso não acontece dentro do prazo socialmente esperado, surge o incômodo — não necessariamente com a mulher, mas com o fato de ela não seguir o roteiro.
E é aí que a maternidade depois dos 40 se torna quase um ato de ruptura.
Porque ela não vem carregada de pressa.
Ela vem carregada de escolha.
É claro que existem desafios. A medicina já deixou claro que a gestação após os 40 exige mais acompanhamento, mais cuidado e mais atenção a riscos específicos. Isso é fato. Mas reduzir toda essa discussão à biologia é simplificar demais um fenômeno que é, antes de tudo, social e emocional.
O que pouco se fala é sobre o outro lado.
Muitas dessas mulheres chegam à maternidade com algo que não se compra e não se improvisa: repertório emocional. Já passaram por frustrações, já aprenderam a lidar com perdas, já entenderam que não existe controle total sobre a vida. E isso impacta diretamente na forma de educar.
Menos ansiedade por performance.
Menos comparação.
Mais presença real.
E aqui está o ponto mais provocativo dessa conversa: talvez o maior risco para uma criança não seja ter uma mãe aos 40 — mas ter uma mãe aos 25 completamente despreparada emocionalmente, pressionada, exausta e tentando corresponder a um ideal que nem ela entende.
A idade, sozinha, nunca garantiu qualidade na maternidade.
E provavelmente nunca vai garantir.
O que garante — ou pelo menos aumenta muito as chances — é a capacidade de estar presente de verdade, de colocar limites com equilíbrio, de amar sem sufocar e de educar sem transferir frustrações.
No fim das contas, a pergunta mais importante não é “com quantos anos você foi mãe”.
A pergunta é outra, bem mais desconfortável:
Você estava pronta para ser presença… ou apenas chegou a hora?



